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Praefatio,
significa falar primeiramente; o que se diz em primeiro lugar; considerações
preliminares ou mesmo advertência, geralmente breve, que antecede uma obra
escrita. E foi essa a incumbência que recebi. Falar sobre a obra de Jorge
Candido S. C. Viana, que aborda o tema de "Crimes contra a
Seguridade Social". Falar sobre este tema, representa muito mais do que
tecer algumas considerações a respeito das violências que são praticadas
contra a Previdência Social. Falar sobre este tema, tão bem abordado pelo
autor é antes de tudo, caminhar sobre as ambages[1],
por vezes desconhecidas da maioria dos cidadãos. É a oportunidade que se
apresenta para que todos possam, por um ou por outro lado conhecer quais são os
principais crimes cometidos, não só contra a Previdência Social, mas contra o
País, contra os cidadãos de menor poder aquisitivo que dependem, muitas vezes,
somente desse porto seguro para suas aflições. Pela abordagem que o autor faz
em sua obra podemos entender que ao se cometer um crime contra a Previdência
Social, está se cometendo um crime de Lesa-Pátria, pois atinge direta e
indiretamente a todo cidadão e por via de conseqüência toda a sociedade.
O autor ao tecer comentários
à Lei nº 8.212, de 24 de Julho de 1991, que dispõe sobre a organização
da Seguridade Social, percorre caminhos diferentes do que se está acostumado,
mostra em texto de fácil compreensão, novos rumos. Novos entendimentos sobre a
apropriação indébita e outras modalidades criminosas.
A nós cabe, mais do que
dissecar uma obra de relevante valor social, mostrar alguns números que a
grande maioria desconhece sobre a Previdência Social.
A Previdência Social vem
passando por momentos importantes para o seu crescimento e amadurecimento. São
79 anos de existência, 20 milhões de segurados.
A
Previdência Social paga religiosamente, todos os meses, cerca de R$ 8 bilhões,
para mais de 20 milhões de pessoas, em 4.758 dos 5.507 municípios brasileiros.
Em 61% deles, cerca de 3.359 o pagamento de benefícios supera as quotas partes
do Fundo de Participação dos Municípios, numa clara e inequívoca demonstração
do impacto que os benefícios previdenciários fazem na economia dessas
localidades. Outro dado de relevância extraordinária é a constatação de que
em 4.323 municípios os valores dos benefícios superam a arrecadação
previdenciária, ressaltando a face distributiva da Seguridade Social. Para a
população rural esse meio distributivo é marcante pela sua elevada cobertura,
pois muitas vezes é a única fonte de renda que garante o sustento de famílias
inteiras.
A abordagem feita pelo autor,
sobre as investidas criminosas de que é vítima a Previdência Social, refletem
o caos pelo qual atravessa a maior seguradora do mundo e o melhor redistribuidor
de renda do Brasil.
A perda de receitas oriundas da
sonegação e da fraude tem representado uma parcela significativa do bolo
nacional, são somas expressivas. Somente na área federal calcula-se em mais de
R$ 100 bilhões anuais. Na área previdenciária os sonegadores e fraudadores
conseguem surrupiar das mais variadas formas e impunemente a soma respeitável
de R$ 50 bilhões anuais, representando muitos benefícios que poderiam ser
pagos.
E para construirmos este país
em que todos deveriam ser iguais perante a lei, precisamos conscientizar toda
uma sociedade da importância da Seguridade Social e o seu relevante papel de
proteção social. São mais de 40 milhões de brasileiras e brasileiros excluídos
da Previdência Social, que vivem na informalidade, no desemprego, na dependência
da caridade alheia, da ajuda de sua própria família ou estão à mercê da
sinecura pública dos Municípios, Estados e da União.
Os "Crimes contra a
Seguridade Social", abordados com muita propriedade por Jorge
Candido, envergonham os homens sérios deste País, pois ao mesmo tempo que
a sociedade vê recuperada a cidadania de cada um de seus membros que se
aposenta, um outro grupo, este constituído de verdadeiros facínoras faz a indústria
do crime crescer em detrimento do Estado e do cidadão honesto e trabalhador.
Efetivamente, muitas são as
formas de que os criminosos se utilizam a cada dia que passa para burlar a
Previdência Social. A algumas o autor se manifesta com brilhantismo peculiar,
mas sabemos que o crime caminha com celeridade e cabe a nós criarmos formas de
evitar que os criminosos levem vantagem, entre essas formas estão os combates
à sonegação, à fraude, à evasão fiscal e à corrupção ativa e passiva.
Durante muitos anos como
Auditora Fiscal da Previdência Social, pude me deparar com este assunto e
sentir de perto a audácia daqueles que se especializam na arte de “enganar o
fisco”. Descobre-se dia a dia novos métodos e mecanismos espetaculares,
muitas vezes ou quase sempre instruídos por pessoas extremamente capazes sob
ponto de vista acadêmico. O que nos entristece sobremaneira sob o ponto de
vista moral e ético.
A sociedade deveria através de
uma discussão ampla, como faz o autor através de sua obra, após análise das
ações comumente praticadas pelos sonegadores, fraudadores e criminosos da pior
espécie, se organizar para enfrentá-los de igual para igual e buscar a fórmula
para acabar com a primazia dessa escória de sempre levar vantagem em tudo.
A
falta de visão para o futuro começa dentro de nossos lares quando convivemos
com nossas mães, tias, avós que, do domicílio do lar vivem e dedicam toda a
sua vida para a família. E a família sequer se preocupa em amparar estes
alicerces do lar, inscrevendo-as como seguradas facultativas. Esse seria o
melhor presente do dia das mães que todo filho deveria pensar. Pois após 30
anos de serviço no lar, ela estaria com sua aposentadoria e com uma gama de
benefícios à sua disposição pelo resto de seus dias.
O mesmo acontece com os pais
que na ânsia do sucesso de seus filhos se esquecem de que a partir dos 16 anos
já podem ser contribuintes do INSS como estudantes e dessa forma, antecipar em
4 ou 5 anos o tempo para requerer a aposentadoria, ou seja, isto garantirá a
que eles (os filhos) possam se aposentar mais cedo. Pois quando chegar ao
mercado de trabalho já terá o tempo de estudante como tempo de trabalho ou de
contribuição.
O empresário que remunera seus
funcionários fora das normas
legais, ou seja, "por fora", estimula o crescimento de um vírus que
corrói a sociedade, que destrói os direitos sociais. Isso sem falar naqueles
que pagam tudo "por fora" e engavetam as Carteira de Trabalho de seus
empregados. A princípio pode parecer que esse procedimento incorreto lhe traga
algum lucro por poder se livrar dos encargos sociais, entretanto, o prejuízo no
decorrer do tempo será bem maior, através das reclamações trabalhistas, além
do prejuízo moral para si próprio e o prejuízo social que acarretará para o
funcionário na época de se aposentar.
Sabemos que o menos culpado é
o empregado, que pela falta de emprego, tem que se submeter, muitas vezes a
trabalhar nas condições acima descrita em virtude de grande número de
candidatos às poucas vagas existentes.
A Previdência Social vem
sofrendo drasticamente com os crimes que são assacados contra ela, e embora não
sejam considerados crimes juridicamente, entre as formas de fraudar a Previdência
podemos incluir as isenções, e as renúncias fiscais, cujos beneficiários são
entidades filantrópicas, clubes de futebol, empresas optantes pelo SIMPLES,
entre outras e que humilham os verdadeiros mantenedores dessa máquina
previdenciária que são os contribuintes que lutam arduamente para poder honrar
os seus compromissos com a Previdência Social.
Esta obra é um alerta. Ao
autor coube o senso crítico e ético e talvez este tenha sido o elo que me
convenceu a falar sobre ela.
Sandra
Tereza Paiva Miranda
Auditora Fiscal e atualmente Gerente
Executiva
do INSS em Campinas - SP
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Para adquirir esta obra, no momento só em CDROM E-mail: coutoviana@ig.com.br |
[1]
Nota do autor: Ambages, s.m. Meandro;
Sinuosidade; (fig) enredo; intriga.
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