VIAGEM AO MUNDO DOS DEUSES

Num momento de pura desesperança, resolvi, com a Bíblia Sagrada debaixo do braço, ir até à beira mar refletir sobre tudo que tem acontecido comigo desde que me entendo por ser humano. Desde que comecei a pensar sozinho, sem ser forçado por este ou aquele, sem condicionamento de professores, bem ou mal intencionados. Quando comecei a entender sozinho tudo que lia, ouvia e principalmente tudo que vivia. Aquele momento em que todo o ser humano consegue armazenar determinado número de informações e chegar à sua própria conclusão sobre o que ocorre à sua volta.

Para quem me conhece bem, perguntaria de pronto: ­- Com a bíblia debaixo do braço? É! Com a própria. Não sei porquê, pois tenho uma visão diferente do que vem a ser na realidade a Bíblia Sagrada. O início do mundo, do nosso mundo, da raça humana. Relutei bastante, antes de iniciar este trabalho, porque sei que causará certo desconforto nos meios religiosos, ou para ser mais sincero e objetivo nos meios que se valem da boa fé do povo para se enriquecer com o trabalho dos outros.

Sentei-me em umas pedras que beiram o mar junto ao denominado Camaroeiro, local onde os pescadores desembarcam o peixe pescado, inclusive o camarão que lhe dá o nome, próximos uns poucos e corajosos pescadores de fim de semana.

Num instante estava observando sobre as ondas calmas, mas distante, um brilho intenso de cores diversas e cintilantes. Se estivesse olhando para a praia poderia ter confundido com as luzes de néon dos painéis publicitários. Mas não, eu estava olhando para o nada, para a imensidão de água. Absorto em meus pensamentos não tive a curiosidade de perguntar aos poucos pescadores que lá se encontravam se também estavam vendo a mesma coisa que eu.

De repente, eu não estava mais ali. Estava viajando. É essa viagem que espero compartilhar com quem puder ou tiver a oportunidade de ler estes escritos.

 

Em Tempo: Tenho por hábito oferecer meus trabalhos à apreciação de expertos juristas e eminentes mestres para que prefaciem, este, porém, não submeti à apreciação de ninguém, por duas razões: primeiro, porque estragaria a surpresa da viagem e; segundo, porque provavelmente não encontraria um louco para fazê-lo...

 

                                                                       O Autor

   

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