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Jorge Candido traz nesta obra a imaginação da criança sobre a própria vida.
O menino e a avezinha é um conjunto de seres que se ajudam e amam com a mesma intensidade.
Esse menino era Victor, mas todos que o conheciam só o chamavam pelo diminutivo, assim em vez de Victor era Vitinho. Assim que a chuva começou a cair, Vitinho correu para a árvore de copa frondosa e abraçou-se a ela. Embora a chuva que caía fosse fria, o tronco da árvore era quente como o corpo de uma mãe. Colou seu corpo mais ainda à árvore aquecida. Um pouco acima de sua cabeça uma avezinha tiritava de frio. Molhada, mal conseguia manter-se no galho. Batia as asas sem muita força para manter o equilíbrio. Um novo raio trovejou, desta vez mais próximo ainda. Tão próximo que chegou a ferir-lhe os tímpanos e a deixá-lo momentaneamente surdo. A avezinha, já sem forças terminou caindo a seus pés. Vitinho permanecia abraçado ao tronco da árvore que o mantinha aquecido. Enquanto Vitinho permanecia abraçado ao tronco da árvore a avezinha se debatia no chão sem poder ao menos ficar em pé. Por um momento, Vitinho não sabia, se continuava abraçado à árvore ou se apanhava a avezinha e a socorria. Prevaleceu o coração, o espírito de solidariedade humana, próprio das crianças, e, largando o calor gostoso daquele tronco abaixou-se e pegou a avezinha. Procurou enxugá-la com parte de suas roupas que, apesar da chuva, permaneciam milagrosamente secas. Ajeitou-lhe as asinhas e colocou-a contra seu corpo entre as roupas, tentando aquecê-la com o pouco calor que lhe restava. Agora era ele quem tiritava de frio. Não estava mais abraçado à árvore e se tentasse fazê-lo corria o risco de matar a avezinha prensando-a entre seu corpo e o tronco da árvore. Permaneceu sentado junto ao tronco da árvore e acariciando a cabecinha, ainda úmida, da avezinha. Adormeceu.
Vitinho, acordou depois de algum tempo, com um raio de sol que teimosamente atravessava por entre as folhas molhadas. Procurou a avezinha dentro de suas roupas imaginando que a tivesse matado quando adormeceu. Procurou-a ansiosamente. Não a encontrou. Olhou ao redor à sua procura e não a encontrou. Suspirou aliviado. Não a tinha matado, provavelmente a avezinha havia se recuperado e voado para junto dos seus.
Levantou-se. O sol, já se fazia presente em toda sua plenitude, mas, por mais quente que o tempo ia ficando, mais frio Vitinho sentia. Retornou à estrada e cambaleante e febril continuou sua caminhada por uma estrada desconhecida e sem fim. Aos poucos as forças iam lhe faltando e trôpego, como um bêbado, ia de um lado para outro até que caiu. Sentiu que sua hora havia chegado. Perdeu os sentidos...
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